2020 Panorama Estratégico

A urgência da crise do superaquecimento do planeta é aguda e como cada pessoa no mundo deve ser um líder em relação às alterações climáticas. Pela primeira vez em nossas vidas, aliás, pela primeira vez na história, precisamos tomar responsabilidade por nosso clima, individual e coletivamente, nas comunidades, empresas, instituições, estados ou países. Somos todos responsáveis pelo aquecimento global.

Precisamos compartilhar da liderança necessária para resolver isso, em nome de nada mais nada menos que o destino da civilização humana, que está em jogo. A crise é grave, a escolha é clara, a liderança é urgente.

Se enfrentarmos esse desafio assumindo liderança climática, vamos gerar prosperidade e justiça climáticas porque temos a capacidade de resolver as piores crises que nos dão as maiores oportunidades de crescimento num contexto de sustentabilidade e alinhamento com os sistemas naturais.

Nossa Campanha de Liderança Climática 2020 tem um número de componentes. Todos os temas são integrados à campanha e constituem o que consideramos aspectos essenciais do aquecimento global. Os temas incluem:

1. "2050 by 2020" Chamada para Ação
2. Planejamento para 2020
3. Desenvolvimento de colaboração on-line
4. Campanha Brasil 2020
5. Logomarca e Qualidade
6. Cronograma para o primeiro ano

1. "2050 by 2020" Chamada para Ação

O cerne da Campanha de Liderança Climática 2020 e o propósito  da campanha Brasil 2020 é  resolver a contradição entre os planos dos governos e as pesquisas científicas, baseadas na realidade do  crescente aquecimento global. Esta é a razão pela qual a liderança sobre o clima é tão crucial. Nossos cientistas estão avisando que nosso tempo para agir de forma decisiva está acabando. E nossos governos ainda estão agindo como se tivessem os próximos 40 anos para reduzir as emissões de carbono em 80%, num compromisso de resolver o problema até 2050. As negociações de Copenhagen giram em torno desta perspectiva. De acordo com os cientistas, precisamos fazer essas mudanças em 10 anos, não em 40.

A contradição entre o que os nossos governos estão negociando e o que os nossos cientistas estão afirmando sobre o ritmo acelerado do aquecimento global precisa ser resolvida; este é o cerne da nossa campanha de Liderança Climática e do propósito da conferência de Belo Horizonte. Esta é a razão pela qual a liderança sobre o clima é tão crucial. A maioria dos governos fala sobre a urgência em reverter o aquecimento global e entram em compromissos vagos para a redução das emissões de carbono em 80% até 2050. Esses compromissos fazem com que pareça que eles estão realmente fazendo alguma coisa, mas as negociações que serão tratadas em Copenhagem são tão irreais que é bastante provável que não haja qualquer acordo até Dezembro. Entretanto, as emissões de CO2 continuam aumentando e o que era projetado para 2050 é esperado para 2030. Isso permite que os negócios permaneçam basicamente como estão por mais 20 anos.

Enquanto isso, liberamos na atmosfera sete milhões de toneladas de CO2 por dia, todos os dias. Em 2008, nós colocamos mais CO2 na atmosfera do que em qualquer ano anterior.

As emissões de CO2 continuam a aumentar e o que era projetado para 2050 é esperado para 2030. Atualmente, estamos gerando cerca de 70 milhões de toneladas de CO2. Isto tem provocado um aumento dramático de gás carbônico na atmosfera a cada dia, todos os dias. Em 2008, nós liberamos mais CO2 na atmosfera do que em qualquer ano anterior.

Quanto mais os nossos cientistas descobrem sobre o superaquecimento, mais urgente se torna a situação e mais imediatas devem ser as ações em nosso calendário. Como a maioria de vocês sabe, a atual situação mundial das alterações climáticas é mais grave que o pior cenário do relatório do IPCC em 2007.

Mais preocupante ainda é o fato de que, mesmo se os governos forem bem sucedidos em reduzir as emissões de carbono em 80% até 2050, isto seria irrelevante para lidar com o aquecimento global de forma significativa. Um estudo recente realizado pelo MIT afirma: Se todos os governos cumprirem totalmente suas atuais promessas, que basicamente consistem em reduzir as emissões de carbono em 80% até 2050, já teremos alcançado mais de 600 ppm de CO2 até então, e as temperaturas globais terão subido pelo menos 4 graus Celsius.

A contradição entre o que os nossos governos estão negociando e o que os nossos cientistas estão afirmando é a questão mais crucial de nosso tempo.

De acordo com o relatório Stern 2006 e muitos outros modelos, um aumento de 4 graus Celsius poderia colocar centenas de milhões de pessoas em risco de inundações costeiras a cada ano, com elevações do nível do mar até 25 metros. Haveria dramáticas reduções na disponibilidade hídrica e as secas aumentariam ainda mais em todo o mundo. Um aumento de 4° C levaria a uma perda de 85% da floresta amazônica, por exemplo. Rendimentos agrícolas passariam por um sério declínio e o mundo enfrentaria graves carências alimentares. Cerca de 20% a 50% de todas as espécies animais e vegetais enfrentariam a extinção.

É por essas e outras razões que Rajendra Pachauri, chefe do IPCC, aceitou o Prêmio Nobel da Paz 2007 em nome do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, e disse: "Se não houver nenhuma ação antes de 2012, será tarde demais. O que fizermos nos próximos dois a três anos vai determinar o nosso futuro. Este é o momento decisivo”. Milhares de cientistas do mundo todo concordam com esta afirmação. Lester Brown afirma claramente que estamos perante o desaparecimento da própria civilização humana, se não tomarmos medidas agora.

Nós acreditamos que o mundo deve se mobilizar em torno do que é cientificamente urgente e não em torno do que é politicamente oportuno.

Por isso, nossa intenção estratégica é muito simples:

O que os nossos governos estão negociando para 2050 deverá ser realizado até 2020 e temos que estar preparados para demonstrar a liderança necessária para fazer isso.

Temos que construir, de alguma maneira, uma coalizão global em torno de reduzir as nossas emissões de carbono em 80%, mudando a base da nossa economia de combustíveis fósseis para energias renováveis e tecnologias limpas, e reordenando os nossos estilos e escolhas de vida nesse sentido, tudo isso até 2020.

2. Planejamento para 2020

O que precisamos durante este processo é começar a discernir, escolher como construir um caminho viável para reduzir as nossas emissões de carbono em 80% até 2020. Precisamos fazer isso utilizando as tecnologias disponíveis com a intenção de produzir prosperidade e crescimento. Acreditamos que podemos alcançar um objetivo num espírito de otimismo e abundância em 2020. Nossa ideia central é que por volta de 2020 a nossa crise climática se tornará uma oportunidade, resolvendo o aquecimento global de forma decisiva também resolveremos nossos males econômicos e financeiros, além de gerar crescimento social e econômico.

Podemos atingir essa meta usando tecnologias disponíveis e pensamento inovador. Não estamos em crise porque não temos soluções. Estamos em crise porque não estamos implementando as soluções já disponíveis.

Podemos e devemos nos unir no objetivo comum de reduzir as emissões de carbono até 2020. Acreditamos que este é o objetivo fundamental, pois, é a libertação de CO2 para a atmosfera que está causando o aumento global da temperatura, o derretimento do gelo, o aumento das secas, a elevação dos mares, bem como a frequência e intensidade dos eventos meteorológicos extremos, que estão aumentando dramaticamente.

Cada um de nós tem a meta de reduzir as emissões de CO2 de forma diferente. Cada comunidade, cidade, região e nação passarão por diferentes desafios e constrangimentos, assim qualquer cenário em 2020 será, por definição, descentralizado e altamente diversificado. A Liderança Climática terá muitos caminhos, muitas formas, e muitos resultados, como deve ser. Dentro do contexto de um objetivo definido e comum de "2050 by 2020" (2050 em 2020), acreditamos que toda a criatividade, a diversidade, a celebração e a colaboração possíveis devem ser incentivadas.

Ao pensar em Liderança Climática até 2020, sugerimos que os seguintes sete alicerces sejam considerados que, quando realizados em conjunto, tornam o percurso até 2020 possível:

1. Reduzir a dependência dos combustíveis fósseis
2. Implementar a eficiência energética
3. Criar tecnologias limpas
4. Desenvolver energias renováveis
5. Limpar os sistemas naturais
6. Criar estilos de vida sustentáveis
7. Criar uma cultura de crescimento sustentável

Você vai notar que as primeiras cinco são as que podemos realizar, e as duas últimas representam o que pensamos e como vivemos nossas vidas; estas têm a ver com nosso lado interior. É uma parte importante do que entendemos por "Liderança Climática". Nossa liderança deve ser tanto pessoal quanto pública, ela afeta nossa vida da mesma forma que afeta a política pública. Não podemos reduzir as emissões de carbono em 80% e desenvolver um clima próspero até 2020 porque nossas vidas e crenças culturais são tão insustentáveis quanto nossas atividades empresariais e políticas nacionais.

Para tratar definitivamente o aquecimento global, temos de ter uma abordagem integral, que vá atingir nossos lados interior e exterior, nossas crenças e nossas atitudes. Todos os aspectos estão integralmente envolvidos em nossas crises e soluções. Portanto, vamos utilizar um quadro integral do sistema operacional para o planejamento do nosso cenário de 2020. A Liderança Climática deve ser uma Liderança Integral, completa.

3. Colaboração de Longo Prazo - Online

Além de explorar a urgência da campanha "2050 by 2020" e começar a trabalhar no desenvolvimento da "Liderança Climática 2020", um terceiro aspecto crucial da nossa conferência será: Como nos unir para que possamos continuar a partilhar informações e colaborar depois da conferência. É o lançamento de uma iniciativa de dez anos e, portanto, deve se manter, continuar impulsionando ações, espalhar informações e a mensagem.

Neste trabalho, fizemos parceria com a corporação Gaiasoft no Reino Unido que é pioneira em um software muito sofisticado que permite a partilha de informações em tempo real, de colaboração e gerenciamento de projetos. Fizemos também parceria com o Centro de Haia, nos Países Baixos, que foi o primeiro a utilizar esta tecnologia da Gaiasoft desenvolvida em grupos e "meshworks" de envolvimento e colaboração em torno de interesses comuns.

4. Brasil 2020

O papel que o Brasil está desempenhando é único sobre nossa abrangente campanha “Liderança Climática 2020”. Embora praticamente todos os países do mundo, assustados ou vagamente comprometidos a reduzir as emissões de carbono em 80% até 2050, o país que parece preparado para desenvolver uma mobilização nacional em torno de Liderança Climática é o Brasil. No Brasil, a utilização de etanol para os automóveis é a maior do mundo, mais de 50% de toda a sua energia é proveniente de fontes renováveis, em oposição aos 12% da Europa e aos 10% dos Estados Unidos; sua maior companhia elétrica, a Central Elétrica de Minas Gerais (CEMIG) gera 92% da sua eletricidade a partir de fontes renováveis e foi determinada pelo Índice Dow Jones de Sustentabilidade, como a melhor empresa energética do mundo em 2007.

Mais importante ainda, a TV Globo, maior empresa de mídia do Brasil e quarta maior do mundo, se comprometeu a tratar com seriedade o aquecimento global e está comprometida a desenvolver uma campanha de educação pública sobre as alterações climáticas. Isto marca a primeira companhia Fortune 100 em todo o mundo a fazer isso, certamente a primeira grande empresa de mídia. Conforme mencionado, a campanha nacional da Globo será estreada na noite de abertura da nossa Conferência. O fato da Globo estar lançando uma campanha nacional de educação pública é uma forte demonstração de Liderança Climática e pode catalisar uma mobilização de âmbito nacional. Dada a crescente urgência da crise climática, é essencial que as mobilizações nacionais sejam planejadas e catalisadas.

Este tipo de liderança é significativo, pois, o Brasil não é um país pequeno, nem tampouco um país de pouco impacto. É um dos maiores países do mundo, ricamente dotado de recursos naturais, sua demografia é muito semelhante ao da população mundial, está em paz com todos os seus vizinhos, seus bancos e da sua economia, embora afetados pela desaceleração na economia global, estão relativamente estáveis e fortes; e é o país que contém a Amazônia.

Isto não quer dizer que o Brasil já “esteja lá”. O governo ainda tem mostrado pouca liderança sobre a questão do aquecimento global e tem tido muita tolerância, para não dizer que incentiva um extenso desmatamento da Floresta Amazônica; há uma exploração sistêmica do meio ambiente em geral. Mas a grande parte da sociedade brasileira acordou para essa realidade e os líderes políticos, empresariais e de setores da sociedade civil compreenderam a urgência e estão dispostos a assumir a liderança na mobilização em torno do plano de dez anos para tornar a economia brasileira verde. Todas estas razões fazem do Brasil uma nação ideal para exercer o tipo de liderança o mundo precisa neste momento crítico.

Baseado no reconhecimento do importante papel que o Brasil pode potencialmente desempenhar no esforço global para reverter as alterações climáticas, que o State of the World Forum lançará sua campanha mundial 2020 no Brasil, na cidade de Belo Horizonte - a capital do estado de Minas Gerais.

5. Cronograma

Pelo fato de a Liderança Climática 2020 ser uma campanha de 10 anos, o State of the World Forum se comprometeu a convocar uma série de grandes conferências em várias cidades do mundo até 2020 enquanto constrói uma coalizão global em torno de "Iniciativas de Liderança Climática". Nosso planejamento para o primeiro ano:

1. O State of The World Forum, que acontecerá em Belo Horizonte de 4 a 7 de agosto servirá a dois propósitos:  o lançamento das campanhas Liderança Climática 2020(mundial) e representantes do mundo inteiro estão sendo convidados a participar. Será também o lançamento da campanha nacional Brasil 2020, uma mobilização que conta com representantes na mídia, na sociedade civil, setores privados e instituições científicas de todo o Brasil; todos participarão de nossas reuniões. Haverá a abordagem mundial com o componente brasileiro específico neste evento de Agosto. O evento dará início a um planejamento estratégico para atingir metas até 2020, com ênfase em tecnologias inovadoras e mudança de estilo de vida, é isso o que nos levará ao sucesso.

2. O State of the World Forum, em Washington, DC, que acontecerá do dia 28 de Fevereiro a 3 de Março de 2010 será o segundo passo na campanha mundial. O evento em Washington voltará a ter dois componentes: o aspecto global em torno da “Campanha de Liderança Climática 2020", que irá representar o perfil das campanhas nacionais, como a Brasil 2020, que estará em curso a essa altura, assim como está começando a tomar forma na Austrália, no México e nos Países Baixos. O principal objetivo é capacitar as pessoas em toda a parte, individualmente e coletivamente para que sejam capazes de criar estilos de vida e comunidades mais ecológicos e resistentes em um prazo determinado - até 2020, enfatizando que todos nós devemos assumir liderança.

3. The State of the World Forum no Rio de Janeiro, dia 30 de Agosto ao dia 3 de Setembro de 2010 irá completar nosso primeiro ano em conveções.

Depois de um ano, a campanha já estará mais consolidada, construindo círculos eleitorais no Brasil e internacionalmente, e aperfeiçoando a nossa mensagem. A campanha "Brasil 2020" terá se desenvolvido, juntamente com outras mobilizações nacionais. Podemos trabalhar com a chamada: 2020 - A Estratégia Global a partir de 2010 no Rio de Janeiro.

Uma sinergia que está surgindo é o WOMAD: Mundial Música e Dança de Peter Gabriel. O WOMAD acontecerá em Salvador, Brasil, de 4 a 7 de setembro de 2010, logo após o nosso Fórum no Rio. Isso permite a mistura de um conteúdo de potencial significativo com World Music, contando com os mais notáveis músicos ativistas. O Fórum 2010 poderá ter repercussão igual ou maior do que a ECO 1992, é importante que estejamos em comum acordo no que diz respeito a essa perspectiva.

Depois de 2010, trabalharemos juntos para escolher outros países onde os Fóruns poderão ser convocados, que irão intensificar seus esforços para promover a sustentabilidade e as "Campanhas de Liderança Climática 2020". Durante todo esse percurso, estaremos construindo as "Iniciativas para a Liderança Climática 2020”. Nossos Fóruns estarão sempre onde houver maior apoio e estímulo às campanhas nacionais 2020. Os candidatos mais prováveis para o Fórum de 2011 é Melbourne, na Austrália; Cidade do México, México e Hague, Holanda.

Gostaríamos de salientar em nossa conclusão que o que está explicado acima vem surgindo nos últimos quatro meses e é muito dinâmico, portanto, sujeito a alterações de acordo com a situação mundial que continua a se revelar e com a crise do aquecimento global que está aumentando; desta forma, a necessidade de liderança torna-se ainda mais urgente. Acreditamos que nossa estratégia está em alinhamento com a crise e que a solução deve ser implementada. As soluções sem devida organização estão agora no passado. Dada a amplitude da crise, apenas as mobilizações nacionais e decisivas - dentro de um prazo determinado e com liderança - serão suficientes. Acreditamos que o que está em evolução satisfaz ambas as exigências de escala e de prazo. E estamos honrados em trabalhar com todos vocês nesta execução.